|
Com o impacto da desvalorização do Real, que já acumula perdas de 58,29% este ano, a produção local na área de informática passa a ser definida com cautela. Na Metron, por exemplo, a dolarização dos componentes, mesmo os adquiridos no País, implicou renegociação de contratos.
O diretor de Marketing e de Vendas da Metron, Cássio Augusto Fernandes, em entrevista ao CW Online diz que nos projetos corporativos, por exemplo, as propostas, que até então, eram válidas por até 45 dias, agora, só podem ser mantidas num prazo máximo de cinco dias.
"Depois, disso, é necessário renegociar os custos. Infelizmente, os componentes para a produção local, inclusive os dos fornecedores locais, são dolarizados. Tudo fica em torno do dólar, que ao meu ver, está numa cotação irreal", informa o executivo.
Segundo Fernandes, o mercado corporativo está comprando de acordo com a sua demanda prática. "As máquinas saem conforme, efetivamente, sejam necessárias. Os contratos de maior porte estão sendo postergados", relata.
Principal fornecedor de PCs para o segmento de varejo, a Metron também renegocia seus prazos e contratos com os magazines. A entrega de novas máquinas acontece de acordo com a venda efetivada. "Assim, todos podem ganhar. O varejo não fica com máquina em estoque, e nós, usamos os componentes em estouqe para produzir máquinas efetivamente vendidas", conta.
Fernandes diz que no caso dos componentes fornecidos no Brasil, como monitores, por exemplo, toda a transação é realizada em Real, mas os preços são fixados de acordo com a cotação do dólar. Então, os custos crescem conforme a evolução da moeda norte-americana.
Até o momento, a Metron não demitiu nenhum funcionário em função da crise econômica, mas admite que enxugou a sua folha cortando horas extras e viagens. Mas, há impactos diretos na produção local. O projeto de fabricação local dos PDAs, por exemplo, cujo primeiro lote foi apresentado na Comdex, evento realizado em agosto, em São Paulo, está "suspenso", em função da alta dos custos.
"Fechamos parceria com a Unversidade de Curitiba para desenvolver aplicativos, mas os componentes utilizados na fabricação são importados. Nesse caso, a alta do dólar nos fez puxar o freio de mão. O melhor é esperar pela retomada da economia, que espero, aconteça depois das eleições", finaliza o executivo.
Fonte: ComputerWorld
|